Em um modelo a ser adotado por muitos periódicos científicos em pouco tempo, a autora Lilian Nassi-Calò destaca pontos importantes e apresenta o panorama deste modelo de avaliação por pares, como segue em parte no texto abaixo e também disponível no link para o artigo do Scielo em Perpectiva.

Por Lilian Nassi-Calò 

A avaliação por pares, um dos pilares que sustenta a comunicação científica, foi pela primeira vez proposta em 1831 por William Whewell à Royal Society de Londres, ao sugerir que uma comissão de eminentes acadêmicos redigisse relatos sobre os artigos enviados para publicação no periódico Philosophical Transactions. Whewell argumentou que estes relatos frequentemente “poderiam ser mais interessantes do que os próprios artigos” e ademais, os autores seriam gratos pelo fato de que seus artigos seriam cuidadosamente revisados por ao menos dois ou três especialistas. O precursor do sistema de arbitragem pelos pares, entretanto, não tinha por objetivo prevenir a publicação de artigos de má qualidade ou propor a criação de um sistema para embasar decisões sobre a publicação. Ele estava, na verdade, buscando aumentar a visibilidade da ciência na sociedade e atribuir uma identidade ao empreendimento científico no Reino Unido, que enfrentava escassez de recursos e de reconhecimento público.

A avaliação por pares passa hoje por um momento de transição e muitos acreditam que é necessário redefinir seus princípios e práticas para não retardar ou impedir o progresso da ciência. Neste sentido, surgiram recentemente alternativas ao modelo tradicional de arbitragem, que usualmente é fechado e mantém confidencial a identidade dos pareceristas (sistema simples-cego) e muitas vezes, também a dos autores (sistema duplo-cego). É interessante notar que desde 1833 prevaleciam os pareceres fechados e anônimos, pois não era considerado adequado ou cordial assinar uma crítica explícita a um colega, e ademais, os pareceres não eram considerados uma expressão pessoal, mas representavam a cátedra do seu autor.

A prática de tornar públicos os relatos de pareceristas vem sendo consolidada nos últimos anos. Iniciativas como a Publons, e Hypothes.is, criadas em 2014 como start-ups, permitem a publicação de pareceres sobre artigos publicados, com o consentimento dos editores e autores. O publisher multinacional Elsevier publicou nos últimos dois anos pareceres abertos de cinco títulos de sua coleção, e pretende incluir novos títulos este ano.

Os defensores da avaliação aberta argumentam que atribuir responsabilidade aos pareceristas publicando seus relatos e, quando possível, sua identidade, torna o processo mais transparente e justo. Outros fazem ressalvas quanto à possível publicação de pareceres sem o devido conhecimento dos pareceristas, e se os relatos alcançariam a desejada atenção dos leitores. Joseph Tennant, paleontologista no Imperial College em Londres diz que é a primeira sessão do artigo que lê, depois do resumo, porém não se conhece a extensão de pesquisadores que fariam o mesmo.

Leia na íntegra

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